INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E TRANSFORMAÇÕES NO SISTEMA JURÍDICO: EFICIÊNCIA, GOVERNANÇA ALGORÍTMICA E DESAFIOS PARA O ESTADO DE DIREITO
O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) tem produzido transformações estruturais em diferentes setores da sociedade contemporânea, reconfigurando processos decisórios, dinâmicas regulatórias e formas de organização institucional. No campo jurídico, a incorporação de tecnologias baseadas em IA tem impactado profundamente tanto a prática profissional quanto o funcionamento dos sistemas de justiça. Ferramentas algorítmicas voltadas à análise de dados jurídicos, à automação de atividades processuais, à previsão de padrões decisórios e ao auxílio na interpretação normativa têm sido progressivamente adotadas por tribunais, escritórios de advocacia e órgãos públicos. Esse cenário amplia as possibilidades de eficiência administrativa e celeridade processual, mas também levanta questões complexas relativas à ética, à transparência algorítmica, à responsabilidade jurídica e à proteção de direitos fundamentais. O presente artigo analisa os impactos da IA no sistema jurídico contemporâneo, considerando suas implicações para a produção normativa, a atuação profissional no direito e a administração da justiça. Parte-se do pressuposto de que a utilização de tecnologias inteligentes no campo jurídico não representa apenas uma inovação técnica, mas um fenômeno capaz de redefinir paradigmas tradicionais do direito, demandando novas abordagens regulatórias e reflexões críticas sobre os limites da automação decisória. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa desenvolvida por meio de revisão sistemática da literatura científica recente sobre IA aplicada ao direito, governança algorítmica e transformação digital das instituições jurídicas. Os resultados evidenciam que a IA apresenta potencial expressivo para ampliar a eficiência dos sistemas judiciais, especialmente no processamento de grandes volumes de dados e na automação de tarefas repetitivas. Contudo, identificam-se desafios relevantes relacionados à opacidade dos algoritmos, à reprodução de vieses discriminatórios e à necessidade de assegurar transparência e controle humano sobre decisões automatizadas. Conclui-se que a incorporação da IA no sistema jurídico exige marcos regulatórios capazes de equilibrar inovação tecnológica, segurança jurídica e proteção de direitos fundamentais, garantindo que o uso dessas tecnologias seja orientado pelos princípios democráticos que sustentam o Estado de Direito.
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